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Ensino deve estar ligado a empregos, diz técnico

Notícias - Diversos - Terça-feira, 22 de Novembro de 2005

O diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, ressaltou, durante seminário na Câmara, que o problema estrutural da educação brasileira é o da qualidade do ensino em todos os níveis, aliado às dificuldades da população em permanecer no sistema. Relacionado a isso, a baixa renda familiar obriga os jovens mais pobres a ingressar mais cedo no mercado de trabalho. "Com menor escolaridade, esse cidadão ficará restrito às profissões mais precárias", explicou Lúcio.

O técnico participa do seminário "Desenvolvimento com Inclusão Social: Capacitação Tecnológica da População", promovido pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em conjunto com o Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara.

Lúcio disse que, apesar do esforço para a universalização do ensino fundamental feito nas últimas décadas, não foi realizado o mesmo investimento no ensino médio e na educação infantil. Só haverá uma alteração no panorama de inserção da população economicamente ativa no mercado de trabalho, continuou, se três diretrizes forem obedecidas:

1) crescimento continuado da economia com foco na geração de postos de trabalho de baixa qualificação;
2) novos postos de trabalho gerados pelo crescimento econômico;
3) aliança entre investimento em todos os níveis educacionais e uma política de Estado que articule a educação tecnológica com outras esferas sociais e econômicas.

O diretor do Dieese salientou que elevar o nível de educação da população sem existir o crescimento econômico "só criará desempregados mais bem qualificados". Segundo Lúcio, o investimento em educação é prioritário, mas qualquer política precisa levar em conta, no mínimo, duas décadas - uma política apenas de governo não é suficiente.

Clemente Lúcio defendeu ainda a conexão entre as escolas técnicas, o "Sistema S" (composto de Senai, Sesi, Senac e Sesc), o programa de geração de renda do Ministério do Trabalho, o investimento em ciência e tecnologia e o ensino universitário, para aliar a educação tecnológica à geração de empregos e à qualificação dos trabalhadores.






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